Oi. Tem alguém ai?

Um TDAH tentando manter a disciplina de escrever e manter um blog. Não poderia ser diferente, mais um projeto começado e não dado continuidade. Soa tão familiar, não?Pois então, comecei esse blog lá nos idos de 2010, logo quando fui diagnosticado. Tamanha minha angustia em querer dizer ao mundo o que passei, de querer ajudar outros a procurarem ajuda e tratamento, mas sem me expor, por temer que a sociedade e a medicina ainda não está totalmente preparada para nos aceitar, sem nos rotular.

De lá para cá, do início do tratamento até hoje, muita coisa mudou na minha vida. No consolidado, eu diria que mudou para melhor. Se foi por causa do tratamento, eu diria que boa parte sim. Mas o mais importante é que passei a me aceitar mais, a me sentir menos angustiado e injustiçado. Meu coração aperta menos quando lembro de tudo que minha mãe fez para tentar me ajudar, mas em vão. Substitui esses sentimentos ruins por outros de força. Hoje me sinto mais guerreiro, por ter conseguido lutar, mesmo que de forma inconsciente, e chegado onde cheguei. Cheguei no máximo que eu podia chegar? Não! Mas eu ainda posso. Só que daqui por diante, posso chegar de forma mais fácil, já sabendo onde estou pisando e onde vou pisar.

Quero muito voltar a escrever aqui. De certa forma, dizer o que passei me faz bem. Para as pessoas quem eu confio, já disse. Mas sinto falta de dizer ao mundo, mas sem me expor. Ainda temo os rótulos.

Não vou prometer nenhuma frequencia específica de posts. Prometo, somente, lembrar que esse espaço existe e que existem pessoas que querem ler o que tenho para escrever, já que, sempre que falo desse assunto, encontro alguém disposto a ouvir.

12 Comments

  • Consigo me identificar demais com os seus "problemas". Fui profundamente afetado pelo meu transtorno. Tenho auto estima baixíssima, depressão, confusão e ataques de pânico. Além disso desenvolvi dependência por álcool e drogas, na tentativa inconsciente de me automedicar. Com essas substâncias eu me sentia focado, relaxado. Pela primeira vez em anos eu conseguia calar aquela "vozinha" irritante que fica dentro da cabeça.
    Agora estou limpo de qualquer substância ilegal ou não prescrita por profissionais há 10 meses, e tenho me sentido melhor.
    É um longo processo o da "reconstrução do eu". Do saber o que de fato sou eu, e o que é a doença.
    Tenho dias bons, e dias péssimos. Acabei de passar por dias quase insuportáveis, quando tentei largar a medicação por conta própria. Senti um vazio horrível e não tinha motivação nem pra levantar da cama direito. Minha mente me dava comandos mas eu não tinha forças para colocar ação.
    Achei muito legal a ideia do site. Se quiser trocar uma ideia, mande-me um e-mail. Obrigado!

    • Eduardo,

      você é um exemplo de superação. Não desista do tratamento e continue com ele, firme na luta! ;)

      As vezes a gente acostuma tanto com o nosso "eu atento" por conta da medicação, que achamos que não precisamos mais dele. Mas basta ficar sem que você já logo percebe a diferença.

      Continue fazendo o seu tratamento com o acompanhamento médico. Reporte tudo a eles. O processo de adaptação a medicação e dosagem ideal é um trabalho de muita paciência.

      Você colherá frutos disso a médio e longo prazo.

      E vamos continuar nos falando aqui através dos comentários dos posts, pode ser? É bom para que outros leitores aqui do blog também interaja com a gente.

      Abraços e obrigado pela visita.

  • Oi Eduardo,

    Sou nova por aqui, li seu depoimento e fiquei entusiasmada com a possibilidade de dar a volta por cima. Como meu diagnóstico é recente , 1 mês, me identifico muito com os sintomas de impulsividade da doença, embora, não tanto com os de desatenção (embora perder papéis, chaves, ticket de cinema, guarda-chuva e canetas, seja muito comum, risos). O que me pega é a instabilidade de humor, frustração recorrente como se nada que eu alcançasse fosse o bastante. Mudanças compulsivas no rumo da minha vida, Bahia, Rio, EUA, São Paulo, morei em tantos lugares…Nunca tive medo do inesperado, como se sempre estivesse correndo atrás de algo que preenchesse a minha vida, mas não sei realmente onde quero chegar. Já disperdicei muitas oportunidades profissionais de bons empregos, por falta de persistência em me acomodar na carreira, sempre me auto-boicotando, mudando de rumo porque, logo aquilo que estava fazendo com muito entusiasmo no início, agora se apresentava pra mim enfadonho e sem sentido. Assim seguia desconstruindo o que construi e iniciando algo NOVO, em que entrava de cabeça com muito entusiasmo até descobrir suas falhas também, pois, na verdade, não existe o ramo de atividade perfeito, o trabalho perfeito, a cidade perfeita, a vida perfeita, o parceiro perfeito, e assim eu fui surfando na vida até que entrei em colapso e grande frustração, desespero, depressão. Acabaram minhas forças de recomeçar e bateu o desespero. Me culpo muito, não consigo me perdoar por ter desperdiçado tanto da minha vida…..Afinal, quem era eu? onde queria chegar? o que queria alcançar? confesso que eu fui meu próprio capataz durante a vida, pois sempre tive boas portas abertas pra mim, sempre tive sorte, ambição e garra para perseguir meus objetivos. Mas, nunca tive um objetivo final claro, então me sinto como grande desperdiçadora de energia pessoal, eterna insatisfeita, mente a mil, sempre em busca de algo mais…..Me sinto com muito potencial, inteligência e garra, mas sem canalizar na direção certa, sem construir algo até o fim. Eu faço o mais difícil: encontro o terreno, estudo a viabilidade do projeto, faço a planta, ergo a lage principal e lá pelo 3 andar, já me desintusiasmei com a obra e parto para procurar outro terreno…. Bem, este desabafo todo é pra saber de vocês portadores se conseguem se identificar com este tipo de comportamento, pois, neste momento, é importante pra mim identificar até aonde é a doença e até aonde é a minha personalidade, entende? Agradeço a todos que puderem me dar uma luz e desejo a todos muito sucesso nesta caminhada e que sejamos FELIZES …

  • Oi Martha, tudo bem?

    Me identifiquei com praticamento 90% do seu relato, eu tb estou a procura de uma explicação para tal disturbio e o seu relato foi o mais proximo de minha experiencia, ainda estou em fase de diagnostico e espero encontrar o problema para as minhas decepções, vou tentar reportar o que ocorreu comigo a vc.

    Felicidades

  • Martha,
    estou passando pelo mesmo momento que vc relatou. Tive a mesma sensação de que muitos leitores aqui tem ao chegar no blog e ler meus relatos, lendo o seu relato: "Caramba, esse sou eu!"
    Estou passando por uma fase difícil. Depois quero contar com mais detalhes aqui no blog. Mas a verdade e que eu não vejo mais muito sentido em tudo que faço profissionalmente hoje. A diferença é que eu ainda não larguei tudo e sai em busca de construir algo novo. Estou nesse dilema, se largo tudo e vou ser feliz fazendo o que gosto(?!), ou se continuo levando a vida que todos esperam que eu leve.
    Não é fácil. No meu caso, parece que falta algo mais forte que me segure. Não tenho família e nem filhos. Nem namorada hoje tenho. E parece que a ausência desses personagens na minha vida me torna um eterno insatisfeito, que sempre está buscando a felicidade ou aquilo que não tenho em outra coisa.
    Não sei se é uma característica de portadores de TDAH. Talvez seja uma característica de pessoas sonhadoras, que querem sempre mudar para mudar o mundo, coisa que todos nós somos. ;)

  • Bem, faz pouco tempo que pesquiso sobre TDAH, porque faz pouco tempo que desconfio dessa hipótese de diagnóstico para o meu problema, mas pelo o que li você não se enquadra no perfil da doença, onde precisa ter tanto sintomas de falta de atenção/concentração como de hiperatividade. Acho que é apenas a sua personalidade juntamente com algo que falta pra lhe completar que você não identifica, ou apenas a sua personalidade mesmo.

  • Oi João,

    O seu blog é uma das poucas coisas que eu consigo prestar bastante atenção. Tá, que eu dou uma paradinha, vejo a tv, outros assuntos na net, rsssss…mas o importante é o tesão de voltar a ler e conseguir me manter focada no seu depoimento e no de outras pessoas por algum tempo.
    De uns tempos pra cá eu notei o grande desânimo em fazer coisas que eu quero fazer, coisas que eu não tenho obrigação. Mas mesmo assim é algo tão desinteressante a ação. Por exemplo, costurar. Costurar está sendo o meu hobby no momento. É uma terapia que trabalha a questão da calma, tranquilidade coisa que não sou muito. Além de apreciar as artes manuais. Eu penso e idealizo a costura com um prazer absurdo, mas mesmo assim é dificil começar e dar continuidade, a procrastinação faz parte até das tarefas que me dão prazer e isso é insuportável pra mim, pq eu quero fazer. Se começo a costurar exijo de mim uma perfeição que muitas vezes costureiras profissionais não têm, mas é pq eu acredito que eu posso fazer melhor. Tenho me boicotado demais, pq passei uns meses sem encostar nas maquinas de costura só pensando no medo de fazer costuras feias. Que pra mim é pior do que não fazer. Meu marido me aconselha, me explica que é necessário fazer uma coisa muitas vezes para ter perfeição, que não é na primeira e na segunda tentativa que vou acertar. Difícil pra mim aceitar isso. Me brocha e me faz perder um pouco da vontade de executar, mas ainda continuo sonhando e idealizando muito na costura.

    A noite que é o horário onde eu sinto grande disposição em realizar algumas atividades e tarefas é o final do dia e tenho a acabar indo deitar cheia de vontade. Pra vcs terem noção eu faço faxina em casa de madrugada. às vezes me pergunto se é o pico de energia ou se é o desespero de ter findado o dia e eu n ter realizado a faxina antes. Acho q é um pouco dos dois. O dia inteirinho fico fugindo das atividades e a noite vem a explosão de vontade e aí vou deitar super animada, eufórica, mas imaginando, vou guardar toda esta energia para amanhã de manhã, mas só levantar cedo é um sacrifício tão grande. E quando levanto n tem animo algum.
    Eu nunca gostei de sentar e estudar, sempre tive grande dificuldade e refletia diretamente nas minhas notas e no rendimento em sala. Ler um livro interirinho pra mim é algo q nunca fiz, ou melhor fiz 2 vezes com livros de auto ajuda “Quem mexeu no meu queijo”e”O livro da bruxa” eu devorei estes livros. Gosto de ler, mas se a leitura fica um pouco massante, acabou pra mim. Comprei um livro recentemente o “Foco ” de Daniel Goleman e tem meses q tento ler e não consigo terminar. E eu achei que teria foco lendo o livro, não consigo ter foco nem mesmo para lÊ-lo, rssssss…
    As pessoas que estão ao meu redor não entendem e acha q n finalizo ou realizo as coisas q eu quero pq n tenho interesse, mas não é. Tem uma força maior que me impede. Tive uma amiga na faculdade que ela simplesmente passa o dia inteiro estudando focada, achava aquilo demais e impossível para mim. Até que no meu penúltimo semestre uma amigo q estava terminando o curso de medicina me deu a Ritalina para usar apenas quando eu fosse estudar. E a Ritalina foi pra mim em 3 dias de uso a pilula mágica. Eu tinha uma energia absurda, sentia um prazer gigante em fazer as coisas, não sossegava até realizar o q me disponha. Dormia tarde e acordava cedo só para estudar foi incrível. Até q eu comecei a sentir o meu coração disparado e um mal humor danado tomando conta de mim. Como o meu proposito foi estudar para as provas daquele período, parei . Só que hoje eu tomei consciência de que não sou normal, rsssss…falta aquilo que eu senti quando tomei a Ritalina. Não tenho vícios e nem sou uma pessoa com tendencia a se viciar fácil. Vou procurar um psiquiatra, quero usar um medicamento até mesmo para eu ter um parâmetro mais uma vez do que é ser normal, ter prazer nas coisas que realiza, mas quero associar terapia, exercicios seja o q for, pq n quero ficar dependente de medicamento que tem efeitos colaterais fortes.
    Só quem tem DDA pra entender as sensações, o desanimo a frustração consigo mesmo ao não realizar uma tarefa que muito se quer, ao ver que seus projetos são muiiitos e que nem se viver 100 anos vai realizá-las. É assim que eu me sinto.

    Obrigada por dispor desse espaço bacana onde nós somos normais entre nós e buscamos ser seres humanos melhores e mais satisfeito conosco.

    • Oi Josy!

      Obrigado pelo seu seu depoimento. E eu li tudinho de uma vez só :)

      Eu entendo perfeitamente o que você sente. Também sou assim.

      Sou um procrastinador de carteirinha. Olha esse blog! Eu adoro esse espaço, adoro escrever, fico orgulhoso de ver a interação entre todos que existe aqui, mas não consigo criar uma rotina para voltar a escrever. Ele só não está completamente abandonado prq existe vocês.

      Enfim, não há remédio que dê jeito nisso, viu? O medicamento te dá um energia temporário que logo vai embora. E medida que você vai usando, seu organismo parece que cria uma resistência.. e logo ele já não faz a diferença de antes.

      É preciso combinar outras formas. A terapia ajuda bastante. Não só a levantar sua auto-estima depois de passar por tantas dificuldades. Mas também a encontrar meios para mudar os hábitos, criar estratégias para evitar que você se sabote ou até mesmo pra se conhecer melhor e reconhecer os seus limites. Para você acordar pra vida e perceber que nem tudo precisa ser feito com perfeição.

      Mas essa ainda não é a fórmula secreta. Ainda não a encontrei.

      No fundo o que precisamos mesmo é buscar ser feliz. Com ou sem TDAH. É só o que precisamos. O resto é consequência.

      Obrigado pela visita! :)

      • Boa noite João e companheiros dos nossos desesperos, identifico-me com todos, fui diagnosticada com o DDA e para ajudar hiperatividade também, muito parecida com a Martha pela insatisfação na vida, não saber o que quero, saber sei mudo é de idéia com facilidade, e com a Josy na realização de tarefas, a tentativa de vontade e motivação para realizar, atingir a perfeição e a frustração. No trabalho sou muito acelerada mas as tarefas São executadas ao mesmo tempo e sem método de organização, resultado troca errada de informação e muitos erros e esquecimentos, entendo tudo na hora quando é explicado e até faço o resumo para saberem que eu entendi o que era para fazer, mas na hora faço tudo contrário… para exemplificar nós emails do trabalho, recebo mais de 10 por dia, abro todos de seguida e depois começo um, paro deixo a meio, depois parto para outro, não consigo ficar na resposta, e acabo cometendo erros, em emails k uma pessoa normal responde em 5 minutos, eu levo mais de meia hora no mínimo e os mais complexos metade do dia, é triste ainda nem sei como ainda tenho emprego… mas se for para jogar um jogo que eu gosto, fico focada durante horas… já não tenho paciência personagem escrever mais, desculpem, neste momento inicie o concerta de 36g julgo eu…não memorizo tudo… obrigado João por este blogue, já aprendi muito, e nunca assumi nem falo com ninguém, sem ser o médico, aquilo que todos nós passamos.
        Obrigado!

        • Apocaliptyca, entendo perfeitamente o que vc sente. E sei que não é fácil. Recentemente procurei um psiquiatra especialista no assunto. Senti uma leve melhora com o concerta 18 mg . Mas o foco tem q estar dentro de nós, não tem jeito. Pq eu tomando o medicamento dias depois já estava sem foco. Com disposição, mas sem foco. Temos que travar uma árdua batalha para nos sentirmos realizados.

          Desejo a todos nós muito foco, animo para não desistirmos fácil e persistência.

  • gente…esse site é muito interessante!! Gostaria que falassem mais sobre o DDA SEM hiperatividade….pode ser…?? bjos

  • eu não sei se é sintoma de dda ou não, o que acontece é que eu estou muito desanimada com o mundo ao meu redor…tudo tão difícil pra mim…olho pros lados e vejo pessoas comentando…É DIFÍCIL PRA TODO MUNDO… aí eu penso…eu acho que é mais difícil pra mim…não tenho memória, ânimo pra fazer coisas que exijam procedimentos burocráticos etc…(isso é fim e me impede de exercer qualquer profissão)como se eu fosse incapaz de compreender mesmo…SEMPRE precisando de uma ajuda dos outros…sei que sou INTELIGENTE mas as vezes me sinto uma verdadeira IDIOTA… é verdade e triste…não sei se a MEDICAÇÃO resolveria toda essa angustia…acho que se eu tiver mesmo DDA, tenho tb ANSIEDADE E INÍCIO DE DEPRESSÃO…muito triste ….

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