A consulta inicial ao psiquiatra

A primeira coisa que você deve saber ao procurar um psiquiatra para tratar o TDAH: Procure um que aceite o TDAH como doença.

Mas como assim? Há médicos psiquiatras que não aceitam o TDAH como uma doença?

Sim! Existem, e não são poucos. A primeira orientação que o meu terapeuta me deu foi essa. Existe uma facção, digamos assim, conservadora da medicina que não reconhece o transtorno. E geralmente são os médicos mais velhos.

Mas tive contato com médicos novos, de outras especialidades, em consultas de rotina, que quando me perguntam se eu faço uso de algum medicamento, torcem o nariz quando eu digo sim e por qual motivo. Uma médica teve a capacidade de me dizer que eu estava era querendo turbinar meu cérebro para ficar mais inteligente do que eu já era. Lamentável!

Enfim, procure um psiquiatra que reconheça e já trate outros pacientes de TDAH. O site da ABDA pode te ajudar a encontrar um profissional.

Outra coisa que você deve saber é que, raramente, eles aceitam planos de saúde. Já vá preparando o seu bolso.

A minha consulta inicial foi extremamente agradável. Durou quase 1 hora e nesse tempo o clima era de entrevista, onde eu contava a minha história e ela me fazia perguntas em cima do que eu contava. Tudo isso com o objetivo de diagnosticar se eu era ou não portador do transtorno. Ela me informou que não existe exame laboratorial para o diagnóstico, e que este só é feito baseado nos relatos dos pacientes e os prejuízos que a falta de atenção trouxe a sua vida.

Ela fez uma analogia bastante interessante: “Todo mundo é desatento. Mas o excesso de desatenção é que torna alguém TDAH. Assim como todo mundo tem açúcar no sangue, mas o excesso é que torna alguém diabético.”

No final ela me aplicou um teste simples de perguntas, semelhante ao que existe no site da ABDA. E em seguida, ela já me deu o diagnóstico de que eu era sim portador, do tipo desatento. Há também o tipo hiperativo. Ela me explicou que existem vários níveis, e que o meu era moderado, e o mais difícil de ser diagnosticado. E que ela só chegou a conclusão do diagnóstico com base no histórico de prejuízos que sofri no passado.

Perguntou se eu estava disposto a iniciar o tratamento com medicação, explicou que o tratamento é para toda a vida e recomendou, paralelo ao tratamento com a medicação, a manutenção das sessões de psicoterapia, que estas me ajudariam a lidar melhor com essa condição.

E assim, iniciei o uso da medicação. Mas esse é assunto para o próximo post.

Até lá!

 

11 Comments

  • Não há que ter receio em se expor. Basta os cuidados que todo mundo sabe que se deve ter na internet… Mas em relação ao TDAH, acho que não existe preconceito. Mais é a desinformação mesmo sobre essa condição.

    Eu ainda não procurei um especialista, mas um dia pretendo, pra que eu posso conviver melhor com esse meu jeito de ser.

    Enquanto isso vou usando a força que consigo forjar para escapar dos problemas.

    Caco

    • Caco,

      me arrependo muito de não ter procurado tratamento antes.

      Minha mãe até tentou, mas na época tudo isso era muito pouco difundido. Hoje me considero outra pessoa. Mais produtivo, mais atento as coisas ao meu redor. Vejo o mundo de outra forma, em alta definição :)

      Por isso, não adie muito. Procure logo. Sua vida pode mudar tb.

  • Meu caro,

    Você poderia me passar o nome dessa psquiatra?

    Obrigado!

    • Diogo,

      sugiro que você busque um médico na sua região. Tenho quase certeza que você não mora na minha cidade :)

      No site da ABDA você pode procurar pelos profissionais cadastrados e recomendados por eles:
      http://www.abda.net.br/br/profissionais/medicos.h

  • O problema na minha região é a distancia aqui em Santa Catarina, só tem na capital. Já consultei com um psiquiatra jovem de minha região foi um desastre a consulta, nossa o cara deve ser daqueles que fez medicina só pensando em quanto ia cobrar por consulta não fez perguntas e se limitou a perguntar: E daí? E dai? e no final me receitou tofranil, tenho certeza que se não fosse o dda minha vida teria sido muito melhor. Realmente acho um absurdo essas facções de médicos. Uma vez li uma reportagem de uma americana da veja dizendo que dda é uma doença inventada que é apenas um comportamento infantil, ou seja , que nós somos infantiloides…eu escrevi um comentário bem mal educado…rs …tenho certeza que não publicaram… claro que coloquei junto isso…no nosso caso é um problema nas sinapses de recaptura da noradrenalina, então eu disse que se nós somos crianças irresponsáveis, aqueles que tem depressão orgânica, não tem um problema de recaptura da serotonina, e sim, são apenas crianças choronas e frescas.

    • Betão,
      já passei por isso várias vezes. Hoje eu desisto de tocar nesse assunto com qualquer outro medico que não seja a minha psiquiatra e que me acompanha no meu tratamento.
      Eu tenho amigo médico. Dois anos mais novo que eu. E sabe o que ele disse qdo eu falei sobre o meu problema? "Ahhh.. vira homem, rapá"
      Ok, ele tem essa liberdade de falar assim comigo. Conheço ele desde os tempos de escola. Mas ai eu fico pensando que o que ele me falou, foi o que muitos outros gostariam de falar.
      Isso de doença inventada eu ouço a todo momento. Meu argumento? Ok! E quanto aos prejuízos que acumulei ao longo da minha vida. Inventei todos? Sou um charlatão? Fiquei 6 anos e meio na faculdade pra formar em um curso de 4 prq eu curtia jogar o MEU dinheiro pelo ralo? Aliás, ainda continuo jogando, prq formei na PUC com recurso do FIES e vou pagar até 2017 um curso que comecei em 99 e terminei em 2005.
      Enfim.. imagino que no interior as coisas sejam bem piores. E faço votos de que vc encontre uma forma melhor de conduzir o seu tratamento com um profissional decente.
      Obrigado pela visita! ;)

  • Sinto exatamente a mesma coisa do que vc, João… "porquê não procurei ajuda antes?", quando li um texto sobre deficit de atenção na semana que eu comecei a realmente pensar em buscar ajuda chorei tanto. Me vi ali, naquelas situações, pensei em tantas coisas que passaram que poderiam ter sido evitadas, é muito louco. Como se um filme das minhas perdas e frustrações passasse na minha cabeça. Minha irmã é médica e me falou em "dano social". Muita gente lê os sintomas do TDAH e pensa "ai meu deus, eu tenho!" mas aceita não buscar ajuda e convive bem com aquelas coisas que a levam a achar que tem realmente DDA. Penso que essas pessoas não tem dano social. Elas podem ser desatentas, hiperativas, impulsivas, mas talvez não o suficiente para precisar de medicação. Não o suficiente para causar dano social. Acho que essa é a principal característica do portador de TDAH. Dano social no meu caso foi trocar de carreira cinco vezes, de emprego mais de 10 vezes (tenho 30 anos), bater de carro uma vez por ano pelo menos, ter relacionamentos amorosos totalmente caóticos, baixa auto estima e no fim de tudo uma depressão horrível que se quer me deixava levantar da cama. Todo mundo acha que tem DDA… minha dica é: antes de achar que vc tem deficit de atenção de verdade analise quais os prejuízos reais que isso tem te causado. Tem causado prejuízos, pra começar? Para algumas pessoas ter DDA significa ser "maluquinho", criativo… enfim, infelizmente existe um fetiche em torno disso que eu lamento muito que exista, não é bonitinho ter DDA. Semana passada eu sai de casa e deixei o fogão ligado. Pensei em desligar o fogão antes de sair com o cachorro umas 5 vezes. Daí eu simplesmente saí. Quando voltei que fui reparar que o fogão tinha ficado ligado. Nessa hora que vem um aperto no peito me dizendo que eu tenho SORTE prq eu poderia ter feito uma tragédia na minha casa. Essa sensação é triste e frustrante, não é bonitinha e nem uma brincadeira. Por isso acho estranho pessoas que tem DDA e não querem buscar o tratamento. Acho que se vc realmente tem DDA vc quer tentar amenizar seus sintomas ao máximo antes que "algo pior" aconteça, a eterna sensação da eminência de uma merda que vai acontecer á qualquer momento e foi minha culpa.

  • Oi Betão,

    Na região de Blumenau tem ótimos profissionais que conheço para ajudar nessa questão, se ainda precisar, posso indicar!

    Abç

  • Alguém conhece um psiquiatra que acredite em dda em Brasília?

    • Conheço a Dra. Yuri do Ânima. O consultório dela fica na 910 Sul. O telefone de lá é 3443-6418.

  • Obrigado Marcelo.

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